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Desde: 06/02/2003      Publicadas: 1989      Atualização: 25/08/2008

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 Reportagem

  07/07/2008
  1 comentário(s)


Profissional do sexo adia planos afetivos

A sensibilidade feminina contribui para que essa categoria se torne vítima de seu próprio negócio

Profissional do sexo adia planos afetivosCarina Bernardino
A sagacidade com a qual vestiram-se algumas figuras femininas, desde o movimento feminista do Brasil de 1970, aumentou as disputas no mercado de trabalho. Profissões existentes há anos, tornaram-se para muitas um novo meio de sobrevivência. Nesse cenário, surgiram as profissionais do sexo.

Reconhecidas pelo Ministério do Trabalho e Emprego, na Classificação Brasileira de Ocupação (CBO) como profissionais do sexo, essas mulheres comuns adiaram o papel de "donas-de-casa" e a maternidade para viverem na labuta diária da profissão, mas não renunciaram aos seus sentimentos, nem mesmo à paixão.

A fragilidade permite que a mulher possa se apaixonar a qualquer momento. No caso da profissional do sexo, apesar da atividade, ela não é um produto o tempo inteiro. É um ser humano que possuí sentimentos. Para a psicóloga Silvana Cavalini Carstens, "quando à mulher se dedica profissionalmente a alguma coisa, ela perde aquela referência de ser mãe, de ser dona-de-casa, de bordar, de cultivar um jardim. Então, pára com tudo isso e vai trabalhar, prostituindo-se, por exemplo, ela tem perdas que acabam sendo frustrantes para qualquer mulher, e isso mexe como os seus sentimentos".

Sobre o trabalho exercido pelas profissionais, o advogado Marllon Beraldo afirmou que "a profissão não é um crime, e que ninguém tem o direito de impedir que uma pessoa venda seu próprio corpo". Para explicar o que é crime pela ótica do Direto no que diz respeito à profissão, Beraldo discorre sobre o Artigo 229 do Código Penal: "Manter por conta própria ou de terceiro, casa de prostituição ou lugar destinados a encontros para fim libidinoso, haja ou não, intuito de lucro ou mediação direta do proprietário ou gerente". Dados esses que podem ser confirmados nas publicações em um portal maringaense, Gpguia (www.gpguia.net), onde ex-clientes expõem depoimentos que variam desde elogios até críticas relacionadas ao tratamento fornecido no programa.

Os momentos enfrentados pelas profissionais apontam para duplicidade de identidades, pois ao mesmo tempo em que elas estão a trabalho, podem representar o papel de mulher, com medos e vontades, o que pode até resultar em envolvimento com seus clientes. Segundo a psicóloga "é valido levar em consideração que se trata de um ser humano [profissional do sexo], e não de um objeto e não de um carro. E se tratando de ser humano, ele oscila e tem momentos do dia que você está bem. Em outros momentos você sente dor. Tem pessoas que te deixam feliz, tem notícias que te deixam triste. É natural que um elogio de um [cliente] faça bem, e o de outro não, porque ela é um ser humano, que tem sentimentos, que tem sonhos e aspirações".


Elas também podem se apaixonar e amar


Profissionais do sexo mostram que também têm afetividade quando se trata de paixões e relacionamentos


Maema Anele Molina
O estereótipo criado pela sociedade de que garotas que se prostituem são necessariamente frias e sem perspectiva de vida é posto à prova. Afinal elas têm sentimentos e sonhos, como qualquer outra pessoa.

Segundo a estudante Maria, 21 (nome adotado para preservar a identidade da fonte) que entrou nessa profissão aos 19 anos, em função de estar desempregada, com dívidas e também para realizar seu sonho de fazer uma faculdade, há sim a possibilidade de se apaixonar e se envolver. A estudante já se relacionou posteriormente ao programa com cinco clientes e comenta que amigas dela se apaixonaram e se casaram com ex-clientes.

Como seus pais não tinham condições, foi dessa maneira que ela encontrou para alcançar seus objetivos. Maria conta ainda que diferentemente de muitas garotas, seus pais são cientes de sua profissão e da forma que se mantém, mas mesmo assim não aceitam.

A estudante tem planos de encontrar uma pessoa, casar-se e ter filhos. Diz acreditar que toda mulher nasceu e foi criada para ser mãe, e não é em função de sua profissão que deixa de imaginar esse sonho e preservar seu ideal de ainda esperar o amor.

"A sociedade olha para a gente como seres anormais, acha que somos 24 horas por dia um top e uma saia, não vê que temos sonhos e sentimentos. Não tenho vergonha do que faço, pelo contrário, isso me moldou e me aprimorou", expõe Maria. Ela diz também que futuramente, quando tiver seus filhos, contará a eles o que já passou para alcançar seus sonhos.

Já para Carla, 23, que ficou por mais de três anos na profissão e faz um ano que parou, a paixão e o amor chegaram mais rápido do que para Maria. Hoje ela está casada e grávida de nove meses.

Carla conheceu seu atual marido por meio de seus programas. Na primeira vez em que saiu com ele, cobrou normalmente, mas depois eles se apaixonaram e começaram a se relacionar, e ela não cobrava mais.

Depois de três meses de relacionamento, Carla engravidou e foi pedida em casamento. E já com um ano de casada, sente que encontrou seu amor.

Carla tinha um cliente que pagava a mais e dava tudo o que ela queria, mas ela preferiu continuar se relacionando com o que viria a ser seu marido. "Isto prova que o dinheiro, não é tudo para a gente."


Imagem/Carina Bernardino
Maria,"não tenho vergonha do que faço, isso me moldou, me aprimorou"

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  Autor: Carina Bernardino e Maema Anele Molina





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