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Matéria Prima
Desde: 06/02/2003      Publicadas: 1989      Atualização: 25/08/2008

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 Opinião

  10/08/2008
  2 comentário(s)


Quarenta anos do ano que mudou o mundo

Puramente revolucionário,1968 reuniu as transformações mais significativas para a sociedade contemporânea

Quarenta anos do ano que mudou o mundoFernanda Inocente
Mil novecentos e sessenta e oito foi um ano que marcou a história mundial como nenhum outro. Foi o ano do grito de liberdade das minorias, do "não" ao conformismo e da luta pelos direitos civis. Foi o ano da revolução sexual, da livre experimentação de drogas e de grandes movimentos estudantis. Foi o ano de Caetano, Mutantes e Chico. Foi o ano da contracultura, da tropicália, do pacifismo, do feminismo, do ambientalismo e de muitos outros "ismos".

Foi o ano das mudanças comportamentais, políticas, sociais e culturais que estruturavam e ditavam as regras daquela sociedade. Foi um ano puramente revolucionário, em que tudo que havia de mais sólido se desfez.

Quarenta anos se passaram e, observando o mundo em que vivemos hoje, talvez muito daquilo que foi idealizado pelos jovens daquela época não passou de utopia, mas 1968, indiscutivelmente, deixou uma herança gigantesca não só para aquela ou para esta geração, mas também para muitas outras que virão.

Sessenta e oito é lembrado como o ano da psicodelia, marcado pelo uso abusivo de maconha e LSD entre os jovens. Foi nesse ano que aconteceu o lendário festival de Woodstock, que reuniu mais de meio milhão de pessoas, movidas a drogas e rock"n"roll. Ainda hoje as drogas são assunto em evidência e, a respeito disso, Talita Tossi traz uma discussão sobre legalização ou não da maconha, fazendo uma relação com a licitude do cigarro, que também é droga.

O mais marcante evento daquele ano e talvez o movimento revolucionário mais importante do século 20, foi o que ficou conhecido como "Maio de 68". Um movimento estudantil que teve início na Universidade de Nanterre, na França, quando os alunos daquela instituição reivindicaram o direito de homens e mulheres dormirem juntos nos dormitórios do campus. E é sobre relações amorosas entre universitários que Marla Drews discorre em sua crônica "As aparências podem realmente enganar", contando a história de um casal de estudantes que entra em crise quando a namorada desconfia que está sendo traída.

O movimento feminista também foi impulsionado por Maio de 68. As mulheres derrubaram barreiras e saíram às ruas para lutar por seus direitos. Queimaram sutiãs em praça pública para protestar contra suas diferentes condições em relação aos homens. Hoje, o sutiã deixou de ser arma para protesto e se tornou alvo de consumo. Nesta edição, Any Kethleen entrevista Antônio Recco, proprietário das Lojas Recco e vice-presidente do SindiVest, que conta como cresceu no mercado de lingeries e que papel desempenha junto ao Sindicato das Indústrias do Vestuário.

Da mesma forma que 68 é visto como um ano de revolução, Jacqueline Wismeck traz ao jornal Matéria Prima a sua visão do programa de TV Custe o Que Custar (CQC), que representa uma grande revolução no modo de fazer jornalismo, apresentando reportagens de forma irreverente, com pitadas de humor ácido.

Se em 68 os estudantes enfrentavam verdadeiras guerras civis para freqüentar uma universidade, hoje é possível assistir as aulas e se graduar sem ao menos pisar em um campus. Denise Urbano traz em sua reportagem uma noção do que é a EaD (Educação a Distância) e mostra que milhares de brasileiros já optaram por essa modalidade de aprendizado.

Nesta edição do Matéria Prima, nossa equipe foi até a Zona 21, em Maringá, investigar o que tem acontecido por lá. Rodrigo Basniak observou que essa é uma região que atrai novos empreendimentos devido ao poder aquisitivo de seus moradores.

No dia 28 de março de 1968, o Brasil ficou estarrecido com o assassinato do estudante de 16 anos Edson Luis de Lima Couto por um PM em um restaurante no Rio de Janeiro. Em outubro do mesmo ano, a polícia prendeu no interior de São Paulo mais de 900 participantes do 30º Congresso da UNE (União Nacional dos Estudantes). Naquela época a polícia causava medo na população. Nada muito diferente de hoje, com os recentes episódios de morte de pessoas inocentes, vítimas da inabilidade de policiais durante operações de combate à criminalidade. Mas, pelo menos na Zona 21, Kelli Moraes mostra que a presença da 9ª SDP (Subdivisão Policial) na região ainda é sinônimo de segurança e tranqüilidade aos moradores.

Aquela movimentação em prol do meio ambiente que tinha grande força em 68, ganhou adeptos pelo mundo, legislação própria, trabalho suado de organizações não-governamentais e até políticos se auto-definindo "verdes" desde criancinhas. Termos novos foram adicionados ao vocabulário: sustentabilidade, créditos de carbono, biocombustíveis... Embora haja todo um cenário pró-ecológico, ainda não estão todas as comunidades, e suas lideranças, seriamente engajadas neste processo. Em sua reportagem, Carlos Emar traz a tona os problemas de um bairro da Zona 21 que foi construído, em grande parte, próximo a um fundo de vale.

Rafael Pignatti, por sua vez, revela que a voz das minorias hoje em dia já não tem tanto poder como teve em 1968. Em visita ao Asilo São Vicente de Paulo, na Zona 21, ele constata que a maior parte dos internos cai no esquecimento e não recebe visitas de seus familiares. Em contrapartida, destaca o papel que os funcionários e voluntários do asilo assumem na vida daqueles idosos.
Tenha uma ótima leitura.

Imagem/ http://web.reed.edu/reed_magazine/winter2007/features/1968_SDS/images/ReedW07_1968_hd.jpg


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